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54405/05/2016 a 02/06/2016

Curso em São Paulo ensina planejamento estratégico para mobilização

Fazem parte do programa introdução ao planejamento estratégico, aulas práticas sobre criação de campanhas e uso de tecnologia e design para mobilizar o público

 

Por Amanda Proetti

 

Em tempos de grande onda conservadora e ataques aos direitos humanos e aos avanços conquistados nos últimos anos no campo da defesa de direitos e bens comuns, nunca se fez tão necessário o incremento da comunicação para as Organizações da Sociedade Civil (OSCs), sobretudo em um cenário de extremada concentração da mídia como no Brasil.

 

Atores fundamentais para a democracia, essas entidades historicamente têm produzido uma comunicação de resistência com poucos recursos técnicos, humanos e financeiros. Em contrapartida, são essas mesmas organizações as protagonistas de um novo jeito de fazer comunicação. A comunicação em rede, tão própria e íntima dessas entidades e movimentos sociais virou sabedoria em um mundo totalmente interconectado como o atual.

 

Neste propósito nasceu o “Mobilize! Estratégias para Transformação”, curso idealizado pela Together - agência especializada em criar mobilizações sociais – em parceria com a Escola de Design Thinking, que trabalha com inovação.

 

O Mobilize! tem como objetivo formar estrategistas, profissionais capazes de usar planejamento estratégico para mobilizar a sociedade e criar valor para produtos ou ações sociais. Em 10 aulas, os/as participantes vão conhecer os elementos fundamentais do pensamento e planejamento estratégicos, dividir a experiência de professores/as especialistas convidados e criar, juntos, o planejamento de uma campanha de impacto social. A próxima turma tem início no dia 10 de maio.

 

Para Renato Guimaraes, um dos idealizadores da iniciativa, existe uma falta de estrategistas, ou seja, profissionais capacitados/as tecnicamente a desenvolver e implementar processos de planejamento estratégico focados em mobilizar pessoas e comunidades ao redor de causas de impacto na sociedade. “A verdade é que um planejamento estratégico bem feito é fundamental para todos que queremos engajar as pessoas ao redor de causas de impacto social, já que nos permite ter uma visão clara da mudança que queremos produzir na sociedade, dos caminhos que precisamos seguir para realizar este sonho, com quem podemos fazer e que recursos e ferramentas vamos usar.”

 

Confira a seguir a entrevista na íntegra.

 

 

Em sua opinião, qual é o papel da comunicação para organizações da sociedade civil do campo da defesa de direitos e bens comuns?

 

Acho que o principal papel da comunicação é abrir um canal de diálogo com a sociedade. E diálogo significa ida e volta. Durante muito tempo, a comunicação foi vista como um instrumento de reforço de posicionamento ou de ideias. Na teoria clássica do processo comunicativo, o emissor tratava de construir bem suas mensagens, controlar os meios de disseminação, na medida do possível, evitar ruídos que pudessem distrair e esperar que o receptor da mensagem a decodificasse e a incorporasse da forma como desejávamos. Um processo muito unidimensional.


Hoje em dia, como vivemos em sociedades cada vez mais baseadas em redes de comunicação distribuídas, nas quais praticamente cada pessoa tem o poder nas mãos de desconstruir, reconstruir e reenviar para frente suas próprias mensagens, tudo ficou muito mais complexo e interessante. A capilaridade ficou muito maior, assim como a tendência à dispersão.


Mas, as organizações contam hoje com muito mais meios de fazer com que suas mensagens cheguem rapidamente a setores antes inalcançáveis e, principalmente, podem receber feedbacks muito mais rápidos e, com isso, ajustar o foco da comunicação para que seja a mais eficiente possível.

 

 

O Brasil vive um contexto de crescentes ameaças aos direitos humanos, com uma agenda conservadora que passa por redução da maioridade penal, ameaças ao licenciamento ambiental, direitos das mulheres e outros. Como a comunicação pode contribuir com as organizações na disputa da sociedade em geral contra essa agenda?


A comunicação pode contribuir, principalmente, ajudando as organizações a se aproximarem mais das pessoas, do cidadão comum. Costumo dizer que nossos maiores adversários não são os que se opõem às nossas ideias, mas sim os indiferentes, aqueles que nos ignoram e/ou não se importam. É para estes que precisamos criar oportunidades de engajamento, oportunidades que lhes estimulem a sair de sua posição, um milímetro que seja, na direção das causas que defendemos. E isto só acontece quando conseguimos entender o que lhes motiva no dia-a-dia, quais são suas prioridades, temores, esperanças.


Devemos cair na real de entender que nós não mobilizamos ninguém. Quando muito, abrimos oportunidades para que as pessoas criem vínculos emocionais e/ou intelectuais que lhes estimulem a se engajar em uma causa ou ação. E isto significa nos desafiar a adaptar, modular nossas mensagens e chamadas à ação às diferentes capacidades de entrega de cada público e, sobretudo, contar com eles para que espalhem estas ideias para suas próprias redes.

 

 

Qual é a importância do planejamento estratégico na comunicação produzida por essas organizações?

 

A maioria das organizações conta com recursos técnicos, de pessoal e financeiros muito limitados para fazer comunicação. Isto torna obrigatório tomar as melhores decisões possíveis sobre o uso destes recursos. Uma das formas de fazê-lo é planejando bem o que queremos alcançar com nosso trabalho de comunicação.


Na minha experiência, muitas vezes fingimos que planejamos e acabamos pulando de uma ação para outra, ao sabor dos recursos disponíveis ou das necessidades que vão pipocando no nosso cotidiano. Muitas vezes, temos pouca clareza de onde queremos chegar, quais indicadores medem a eficiência e eficácia de nossas ações, se as táticas usadas são realmente as melhores, se correspondem aos objetivos pensados, se os objetivos em si são os melhores, com que audiências temos de nos relacionar e de que forma. Enfim, a teoria de mudança é muitas vezes frágil, isto quando existe.

 

O planejamento bem executado ajuda a encontrar as melhores respostas às necessidades apontadas acima e nos permite ter mais segurança sobre o melhor uso dos recursos e sobre os impactos que queremos alcançar.

 


Que papel tem o conhecimento em estratégias de mobilização para o trabalho em rede tão próprio do modo que trabalha a sociedade civil organizada?

 

Vivemos em um mundo cada vez mais interconectado, no qual o paradigma da abundância passa a ter uma prevalência cada vez maior. Este paradigma supõe que, ao contrário do que diz o senso comum, "tem para todo mundo". Ou seja, há recursos disponíveis para todos que precisem e quando estes recursos são usados de forma colaborativa, eles têm uma extraordinária capacidade de se multiplicar exponencialmente, para benefício de todos.


Por outro lado, a maioria das nossas organizações ainda vive sob o paradigma da escassez, que, ao contrário, reza justamente "que não tem para todo mundo". As estruturas hierárquicas servem justamente para ajudar a "gerenciar a escassez". 


Acontece que nas sociedades interconectadas, as pessoas estão cada vez menos dependentes de organizações hierarquizadas, incluindo ONGs, para resolver seus problemas imediatos - e até alguns mais complexos. Elas se aglutinam em estruturas mais ou menos "líquidas", ou seja, não-hierarquizadas e usam de diversas formas de colaboração (crowdfunding, crowdsourcing, co-criação, etc.) para gerar soluções imediatas e altamente replicáveis. Entender como estes processos acontecem é fundamental para que as organizações estruturadas sob o paradigma da escassez possam encontrar o seu papel diferencial e seguirem relevantes para a sociedade.

 

 

Como o curso “Mobilize! Estratégias para Transformação” pode contribuir com a luta empreendida pelo campo da defesa de direitos e bens comuns?


O Mobilize! tem a visão de ajudar os participantes a conhecerem e usarem conceitos de estratégia e planejamento para criar oportunidades de mobilização e engajamento ao redor de causas e ações de impacto social. Buscamos formar profissionais que dominam um ferramental teórico e prático que lhes permita identificar e gerar oportunidades de mobilização que estimulem as pessoas a sair de suas zonas de conforto.


Falamos de entender profundamente o contexto no qual operamos, as audiências com quem precisamos nos relacionar, suas motivações. Aprendemos a desenvolver uma teoria de mudança sólida, criamos chamadas à ação (campanhas) estimulantes, definimos indicadores de performance (KPIs) sólidos, viajamos por conceitos de branding e falamos sobre os melhores recursos tecnológicos para expandir ao máximo o alcance de nossas mensagens.

 

Acredito que este tipo de conhecimento teórico e prático pode ser extremamente útil para organizações operando no campo de defesa dos direitos e bens comuns, especialmente neste momento político em que vivemos, no qual grupos políticos conservadores estão aprendendo muito rapidamente a operar na sociedade em rede.

 

 

SERVIÇO

 

Curso Mobilize! Estratégias para Transformação
Início das aulas: 10 de maio

Duração: 10 aulas

Horário: Terças e Quintas, das 19h às 23h

Local: Escola de Design Thinking - Rua Baluarte, 672 - Vila Olímpia - São Paulo - (11) 3476-2500

Inscrições e mais informações: http://www.escoladesignthinking.com.br/mobilize/



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