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54405/05/2016 a 02/06/2016

Não é uma comemoração, é um dia de luta

Militante do movimento LGBT fala sobre o Dia Internacional contra a Homofobia, reconhece avanços, mas teme retrocessos


Por Marcela Reis

Celebrado no dia 17 de maio, o Dia Internacional contra a Homofobia marca o fim da classificação, feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS), da homossexualidade como patologia em 1990. O termo homossexualismo deixou de ser adequado para denominar pessoas que se relacionam com o mesmo gênero. De acordo com Bárbara Alves, coordenadora executiva do Fórum Baiano LGBT e integrante do Coletivo Lesbibahia, só em 2010, a data entrou para o calendário oficial do Brasil. “A importância de todas as datas do calendário LGBT é tirar essa população da invisibilidade. Esse dia se tornou dia de luta pelos direitos humanos, pela diversidade e contra o preconceito”, defende.

 

A Abong entrevistou Bárbara Alves, que é lésbica e militante, para falar sobre a importância da data. Leia a seguir a entrevista completa.

 

 

Abong - Qual a importância do Dia Internacional contra a Homofobia?

 

Bárbara - A importância de todas as datas do calendário LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais, Travestis e Transgêneros) é tirar essa população da invisibilidade. Em 1990, tirou-se o termo homossexualismo, como sendo doença. Então, esse dia se tornou dia de luta pelos direitos humanos, pela diversidade e contra o preconceito. No Brasil, a data entrou para o calendário oficial só em 2010 e é dia da luta contra a gayfobia, lesbofobia e transfobia. Essa luta avançou mesmo em 2008 e a 1ª Conferência LGBT foi só em 2009. Mas, essa lógica de comemoração do dia é perversa. Não é uma comemoração, é um dia de luta.

 

Qual a situação dos direitos da população LGBT no País?

 

Algumas letras [da sigla LGBT] têm alcançado direitos, mas a bandeira principal que é a criminalização [da homofobia] ainda não. Na última Conferência LGBT, que foi esses dias, a Dilma assinou a lei do nome social, isso foi uma grande conquista. Mas não é só assinar e já está resolvido, temos que ir para a rua garantir que a lei seja implementada. Aqui em Salvador, a Secretaria de Mulheres tem uma trans, estamos avançando.

 

O Marco Regulatório [Lei 13.019/2014] também foi assinado e é importante em termos de movimentos sociais, porque as ONGs estão ligadas a projetos que abrangem também os LGBT, então temos que fortalecer a ação. Pena que ela assinou nessa conjuntura, que a questão LGBT nunca teve tanto confronto e a resposta é mais violência. Um exemplo disso é o caso de Luana, no Rio de Janeiro, lésbica que foi morta. Os movimentos têm que dar visibilidade, têm que ir atrás para penalizar os responsáveis.

 

Há políticas públicas que contemplem os/as LGBTs?

 

Tem, mas temos que avançar na educação, saúde, segurança pública e no mundo do trabalho. O Plano Nacional de Educação tem uma mobilização grande e tem tudo a ver. E agora tem essa conquista do nome social para as trans. Uma amiga jornalista que eu tenho casou essa semana, no papel, o que nós conquistamos. Mas ainda falta a criminalização da homofobia, isso é essencial. Independente do governo e do partido temos que sair das redes e ir para a rua, é isso que amplia as políticas públicas.

 

Não existe o Dia Internacional da Lesbofobia. O que você acha disso?

 

O termo homofobia foi feito na perspectiva do gay, mas a meu ver a lesbofobia está contida também. A publicidade trouxe mais [o termo] homofobia, quando na verdade é gayfobia, lesbofobia e transfobia. Temos que começar a trabalhar nisso, a usar os termos certos. Nós [lésbicas] temos o dia 29 de agosto, dia da visibilidade, o que é ótimo. Datas são importantes, mas dividir demais não é legal, tem que resignificar o dia 17.

 

Mas, claro que lésbicas sofrem apagamento, ninguém toca no assunto de Luana, se fosse gay estava todo mundo fazendo matéria. No próprio movimento LGBT tem silenciamento, não há uma pressão para dar espaço. Só por ser mulher já somos invisíveis, com as outras violências que as mulheres lésbicas e negras sofrem isso piora. Temos que demarcar essa violência, é importante destrinchar, principalmente quando se fala em políticas públicas.

 

Até 2008, a Conferência era chamada de GLBT, depois passou a ser LGBT, para dar visibilidade às lésbicas. Mas, as pessoas continuam entendendo a homofobia e a lesbofobia não. Por isso, temos que fazer essa construção do que é homofobia, que engloba todas as letras do LGBT. É um processo pedagógico que falta nos movimentos e no processo de construção de datas. A Parada LGBT, que esse ano não é mais só gay, tem que ter esse caráter pedagógico, para além da comemoração.

 

Esse clima de tensão entre direita e esquerda e a possibilidade do impeachment da presidenta é um retrocesso para os direitos das pessoas LGBT?

 

Com certeza, estamos ferrados! Os LGBT, os pretos, as mulheres, a caça às bruxas começou. Toda esquerda tem uma leitura de mundo diferente desse possível governo [de Michel Temer]. Esses últimos 12 anos foram de mudança, essa entrevista poderia nem acontecer se não tivéssemos o atual governo. Esses 12 anos trouxeram visibilidade e uma sociedade diferente para nós, só por isso já valeu. Mas se essa pressão da direita endurecer, vamos ter morte, uma guerra civil.

 

No campo da universidade temos grupos de LGBT, nesse espaço que é dos brancos e da burguesia. Quem constrói o campo da sexualidade nos espaços sofre perseguição de várias formas. A Conferência LGBT teve interferência do Bolsonaro, ele tentou fazer com que ela não acontecesse, então as coisas não estão tranquilas. Hoje é permitido violentar tudo e todos.

 

A Bancada BBB [Boi, Bala e Bíblia], que é super conservadora, está tirando nossos direitos. O boi, que simboliza o capital, a bíblia, que é o fundamentalismo que há em todas as religiões e a bala, que é a polícia e seu controle. Temos que ir para a rua garantir nossos direitos.

 

Nós aqui na Bahia estamos em processo de construção com as lésbicas. Vamos para o Senale, Seminário Nacional de Lésbicas, que esse ano é Senalesbi, que abrange as bissexuais. É a maior conferência de lésbicas do País, onde vamos traçar um panorama para ver para onde vamos caminhar e como nossas políticas estão. Temos que nos organizar e lutar.

 

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