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Agricultura orgânica: caminho para o desenvolvimento sustentável

12/07/2016

Diário Verde publica matéria especial da jornalista Heloisa Bio sobre o impulso que a agricultura orgânica pode dar para ajudar o Brasil a atingir os 17 Objetivos que compõem a Agenda  da ONU , a exemplo de todos os países do mundo até 2030.


A iniciativa contempla recomendações concretas para segurança alimentar, saúde, energia, produção e consumo sustentáveis e permitem uma uma  articulação de trabalhos conjuntos entre governo e sociedade civil que compõem a Agenda  2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Com o objetivo de abordar este importante tema mundial, diferentes representantes de governo, sociedade civil, agricultores familiares e pesquisadores de universidade debateram  “Como a agricultura orgânica ajudará o país e atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU?”

O evento aconteceu no início de junho durante a Bio Brazil Fair, numa iniciativa da AAO – Associação de Agricultura Orgânica eInstituto Kairós.

Agroecologia e compra orgânica para alimentação escolar tornam Brasil exemplo mundial para o desenvolvimento sustentável


E o Brasil já apresenta iniciativas que permitem cumprir as metas de sustentabilidade quando o tema é agricultura orgânica e agroecologia, os quais perpassam todos os objetivos da Agenda 2030.


A agroecologia destaca-se mais explicitamente no Objetivo 2 de “acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável”.

Dentre os seus impactos positivos pode-se destacar: a fixação do homem no campo e manutenção das comunidades rurais, preservação dos recursos naturais e da produtividade do solo, além de alimentos de maior valor nutritivo e sem contaminação por agroquímicos.

O pesquisador da UNICAMP, Enrique Ortega (ao lado), demonstrou inclusive que os custos de produção e as externalidades negativas são menores na agricultura orgânica do que na produção convencional.

 

Produção orgânica: somente 1% da área agricultável brasileira 


A intenção do encontro foi apresentar dados e informações que orientem políticas públicas para a efetiva transição agroecológica, conforme só 1% da área agricultável do país é utilizada hoje para esse plantio.

“Aí entra a exemplaridade do Brasil em termos de programas de compras públicas para a alimentação escolar, os quais são um forte indutor da produção orgânica, ao determinar a compra da agricultura familiar, permitir ao agricultor planejar a venda e garantir alimentação saudável a crianças e jovens”, afirmou Ana Flávia Badue, coordenadora do Instituto Kairós.

A cidade de São Paulo é pioneira na criação da Lei 16.140/2015, que obriga ao município a aquisição de 100% de alimentos orgânicos para a alimentação escolar até 2026.

Atender as quase 2 milhões de refeições servidas ao dia nas escolas municipais é um caminho direto para se atingir a meta da alimentação saudável com a possibilidade de produção agroecológica em escala.

Produzir em escala e custo real


Muito se questiona sobre a capacidade da agricultura orgânica de atender a demanda alimentar e a possibilidade de produção em escala a um custo viável.

Nesse sentido, a diversidade da produção em contraste à restrição de um só produto da monocultura, a organização da cadeia de distribuição de alimentos e os preços que levem em conta as externalidades que não são pagas pelo produtor convencional, estiveram entre os aspectos debatidos no painel durante a Bio Brazil.


Rede de agricultura orgânica interliga e abastece mercados de 250 cidades em três estados 


O representante da Rede Ecovida, Marcelo Passos (ao lado), que articula produtores em 3 Estados, mostrou que é possível realizar na prática o abastecimento de mercados tão distantes como Paraná, Minas Gerais e São Paulo.


A rede atua em 250 municípios, com um circuito de comercialização que conecta núcleos de produção no território e faz o alimento orgânico chegar a mais de 200 feiras ecológicas.


Com isso, já são mais de 4,5 mil famílias de agricultores beneficiadas com a iniciativa.


O diretor de agroecologia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Rogério Dias, reforçou que o país poderia dar conta da demanda interna e que sempre priorizou a alimentação da população, ao contrário de outros países que exportam orgânicos para mercados convencionais.


Ele trouxe um panorama do território, com 14.449 unidades de produção orgânicas cadastradas e já 25% dos municípios com esse tipo de cultivo certificado.


“Mas ressalta-se que muitas vezes o agricultor não tem como se dedicar à comercialização, daí a importância das compras públicas para a venda direta e a ampliação do trabalho no campo”, destacou Dias.


O Guia Alimentar da População Brasileira, hortas comunitárias e feiras orgânicas mostram a importância da alimentação saudável e sustentável para toda a sociedade.


Recente estudo da FAO – Programa da ONU para a Alimentação e Agricultura, revelou que somente 83 países, de 215 países analisados, adotam diretrizes alimentares para seus cidadãos, e que apenas quatro – entre eles o Brasil – consideram a alimentação e a agricultura sustentável conjuntamente em suas recomendações.


“São exemplos do nosso papel nessa área, o Guia Alimentar da População Brasileira, as hortas comunitárias cada vez mais enraizadas no cenário urbano e a quantidade de feiras orgânicas existentes hoje”, reforçou Nina Orlow (esquerda), da Rede Nossa São Paulo, sobre iniciativas que têm interface com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.


Por fim, o professor Ortega, da Faculdade de Engenharia de Alimentos da UNICAMP, trouxe dados importantes sobre a contabilidade não embutia no valor dos alimentos convencionais.


Por meio de uma análise energética de sistemas de produção de soja convencional, nos Estados Unidos, e em cultivos orgânicos de soja e milho, no Brasil, chegou-se ao resultado de que o ganho sistêmico por hectare no primeiro caso é de 50 dólares ao ano, enquanto no segundo, da produção orgânica, atinge 1,1 mil dólares ao ano.


“Ao levar em conta a energia solar, a perda de solo, o controle biológico, as chuvas, nutrientes, entre outros fatores, notamos que hoje o preço desses alimentos deveria ser até 2,5 vezes mais alto do que o aplicado no mercado, conforme não se considera o custo dessas externalidades”, disse.

Mais informações: Heloisa Bio – heloisa.bio@aua.org.br

 


Fonte: Diário Verde

 

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